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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Uma única linha du Bocage

Fonte de imagem: Eastern SunRise
Mil anos sem falar comigo, um amigo me procurou. Aparentemente sem intenção alguma, mas o tempo mostrou que ele precisava conversar... e só isso. Não sei ao certo o que ele queria dizer, mas ele precisava do meu silêncio e de meus ouvidos, eu os doei então. Em troca, ele me enviava palavras e compartilhamentos às vezes engraçados, outros tantos perigosos a nossas escolhas do presente.
Seria natural achar que o meu bem ele não queria, ou algo assim. Acho que o fiz perceber isso quando, cansada de fazer silêncio e apenas receber, passei a responder-lhe da mesma forma... e aí ele se afastou. Peguei pesado, foi demais.
Foi bom vê-lo se soltar, apesar dos meios não serem corretos.
Mas fiquei pensando no que havia naquelas “entrelinhas”... não nas entrelinhas do que foi dito, mas das páginas em branco. O que havia escondido em seu silêncio longo após a euforia, o que havia em todas as imagens sem sentido que me enviava... Deve haver um sentido naquilo. Deve haver algo além disso... Não pode ser apenas aquilo que me enviava o que ele tinha a me oferecer, a me dizer... Havia um desabafo de mil anos escondidos, e eu queria ouvir. Não pode ser só isso. Não consigo acreditar.
O silêncio pode significar muita coisa.
Talvez não estivéssemos prontos para o contato.
Talvez devêssemos parar de querer ser nós dois, do jeito que era.
Talvez o que nos impede de um simples abraço seja o excesso de presente que não tem como abrir mão para a interferência de um passado.
Deixa ser de saudade o passado. 
Enterra, fora do peito, toda a loucura do amor que acabou, já não existe.
Não roubemos um do outro nada além do que já foi roubado: o tempo.
Silencia em mim os sentimentos, como foram em ti silenciadas as palavras.

“Permita-me morrer o que viver não soube” 
(Manuel Maria Barbosa du Bocage)

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Metas para esquecer *

Fonte de imagem: Somos todos um
Não somos fortes...
Diante de uma separação com alguém que julgávamos pra sempre, a gente cai mesmo, mas só se quisermos...
Eu, como toda virginiana, me enchi de metas para esquecer...
Como assim?
Me dei só 24h pra insistir pra ele voltar... Ele terminou comigo no dia 1º de agosto, às 11h da manhã... No dia 2 de agosto eu mandei minha última mensagem lamentando o fim do nosso namoro. Lógico que depois dei uma escorregadela... Enviei uma brincadeira pra ele... Mas ele não viu graça e não respondeu!
É um antipático!
Me dei 72h para falar no assunto... Então, até amanhã, se alguém quiser saber detalhes do fim do namoro eu ainda respondo, mas só até de manhã...
Me dei 1 mês para voltar a falar com ele de novo... Não sei se vou conseguir evitá-lo até lá (frequentamos a mesma igreja, quase no mesmo horário... Ir a missa tem me feito bem pra caramba! Sinto muito pra ele se acontecer, mas virarei a cara e seguirei em frente), mas a promessa que me fiz foi essa... Claro, se eu me sentir forte pra falar com ele antes, eu vou falar...
Me dei 2 meses para esquecê-lo definitivamente...
6 meses para arranjar um novo namorado (mas se encontrar alguém antes, legal!).
Apenas 1 semana para sonhar que tem volta...
1 semana para começar a academia...
Tenho até o próximo fim de semana para ir ao psicólogo, dar um corte novo no meu cabelo...
Eu ia começar a ir ao grupo de oração que ele frequenta esse mês, mas com o nosso rompimento, fica pro próximo... Isso se não coincidir com o horário da minha catequese que eu começo agora... Se coincidir, daqui a 6 meses eu volto.
A minha maior meta pra esquecer tem sido ocupar o meu tempo com coisas que me distraiam e façam feliz... coisas que desviem meu pensamento de qualquer coisa que lembre ele... Embora tudo faça lembrar... A onda agora é agir como se nada tivesse acontecido.... Mesmo tendo acontecido...
A meta é esquecer que um dia tivemos uma história e um dia ficamos juntos.... É isso!
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* Postagem publicada dia 3 de agosto de 2013 no Além de palavras, sentimentos. Mas como o blog tá fechado... Publiquei aqui.