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Ex-madrinha

Fonte de imagem: Gartic
Quando um amigo falou que alguns familiares dele eram chateados com ele por ter recusado ser padrinho de uma criança, eu me revoltei com ele. Achei que essa era uma atitude egoísta, apesar de todas as explicações que ele me deu na época.
Desde que crismei, recusei 3 convites para ser madrinha... Na crisma a gente aprende o verdadeiro significado do batismo e do que significa apadrinhar uma criança. Os convites eu recebi pelo motivo errado: porque éramos amigas, por eu ser a única católica que a pessoa conhecia, por estar desde o começo da gravidez ao lado da mãe e, o mais triste de todos os motivos, por ser besta a ponto de se permitir ser usada sem reclamar.... Sabe esses apadrinhamentos estranhos que você mal conhece a pessoa e percebe que tudo ela quer?
Alguns eu recusei na mesma hora, outros esperei que a criança nascesse e o último a ser recusado foi quase às vésperas do batismo, quando percebi que não tinha tempo pra criança.
Eu não queria ser uma madrinha de dar presente apenas, eu queria ser uma madrinha presente. De poder ir lá, poder passear com eles, brincar, ensinar as coisas da minha Igreja. Não queria aparecer uma vez na vida outra na morte e a falta de tempo e as cobranças foram me sufocando.
Quem me conhece sabe que meu único tempo livre é a noite, mas é o tempo que eu uso também pra normalizar, estudar e organizar a minha vida... além de descansar, porque sou humana.
Conversei com muitas pessoas sobre a minha agonia de não ser a madrinha que eu gostaria de ser, e todas me apoiaram na minha decisão. Embora de longe pareça egoísta, e a forma como eu disse talvez não tenha soado bem... talvez essa tenha sido a maior prova de amor que eu fiz a meus "ex-afilhados". Dei a eles a chance de terem novas e boas madrinhas... E dei ao meu coração a paz e a certeza de que não aceitei algo apenas pela conveniência.
Outro dia estava conversando com uma amiga que existe uma grande diferença entre você ser madrinha do filho de uma amiga e de alguém que já faz parte da nossa família. Porque uma criança da nossa família a gente sempre vai estar perto. Acho que esse é o correto, sabe?
Basta olhar em nossa própria casa. Minha madrinha, que é irmã de meu pai, sempre esteve por perto, acompanhando meu crescimento. Meu padrinho, que era um amigo de meu pai, me viu no batismo e no máximo 10 vezes depois dele.
Acredito que madrinha e padrinho tem que ser da família mesmo, porque antes de ter laços com os pais da criança, o padrinho precisa ter laço com a criança.
Os padrinhos dos meus filhos cresceram comigo em minha casa... não darei a ele um apadrinhamento de um laço temporário ou esporádico. Quero que eles tenham o acompanhamento de um laço eterno.
É bonitinho convidar amiguinhos pra serem madrinha/padrinho, mas vai contra o que acredito e essas experiências apenas reforçaram essas certezas em mim.
Enfim...  A vida segue.
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Sobre a louca que escreveu:
Soraya Carvalho Meu nome é Soraya, mas me chamam de Sol! Tenho 31 anos, estou tentando me reapaixonar por tudo o que escolho... Sou formada em Biblioteconomia, recém-convertida católica (ainda que batizada desde 1995), estou aprendendo a lidar com a ansiedade e tenho pensado em tentar falar sobre a luta e o aprendizado diário... Viver requer paciência, e eu não tenho.

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