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Método papai de destraumatização

Fonte de imagem: Utilis Inutilis

Eu sempre fui uma criança medrosa (sim, estou dizendo que ainda sou criança). Sempre tive um pânico todo especial dedicado a bichos. Tenho medo de calango, camaleão, troíra (não é tudo a mesma merda?), cobra, gato, rato, pato, galinha (comecei a exagerar), corujas, leão, sapo (esse é dos piores!)... 
Depois de algum tempo tendo experiências ruins com os métodos de destraumatização do meu pai, eu passei a esconder um pouco isso das pessoas ( é o que eu tô fazendo agora, escrevendo isso no meu blog!J). 
Como funcionam os métodos destraumatizantes de papai? 
Ok, vô contar! 
Um dia, estava eu, linda e loira (bom, naquela época eu ainda não era loira, mas era linda, pode crer!) indo pra casa de vovó, quando vejo que lá, no caminho da cintina (o lugar onde a gente fazia cocô, no mato, lá no quintal! Táaaaaaaaaaaaaaa... Vou poupá-los dos detalhes...) quando avisto aquele ser... nojento e penoso... olhando pra mim com aqueles olhos enormes... Medo... 
Ao descobrir que eu não ia no quintal, e que na verdade nem mais saia de casa (A casa de minha vó era pequenininha, mas tinha um espaço enorme coberto de mato ao redor... dava pra fazer umas 5 casas...), papai foi lá, pegou o bicho (não vou revelar o nome para que ninguém tente fazer a mesma graça, ok?) e trouxe até mim... 
Eu pobre criança, indefesa em seu sungão sem elástico gritei, gritei, gritei até ficar roxa... E papai aproximava mais o bicho feio e zôiudo de mim. Enquanto ele apenas abria e fechava a asa pendurado no braço de meu pai, eu ia ficando cada vez mais roxa... gritava, gritava, gritava... Não sei porque, meu pai mudou de idéia e levou o bicho feio pra mesma cordinha onde ele tava pendurado nos olhando (acho que minha mãe falou algo sobre eu morrer assustada)... com aqueles olhos enormes... Graças a Deus, dias depois o bicho morreu e eu pude ir na casa de vovó normalmente, livre pra fazer meu cocô na cintina (vô pesquisar se o nome é esse...). 
Depois dessa, um pouquinho mais velha, meu pai nos levava pra Ilha rala (o terreno dos açudes dele). No porta mala um gato que ele levava pra alguém miava. Nessa época até que eu gostava de gato, a gente tinha um... Num certo ponto do caminho, ele nos convidou pra ver o gatinho. Eu sempre confiei muito em meu pai, tanto que sai do carro e me postei do lado dele. 
Lembro como se fosse hoje... Papai pegou um daqueles sacos de batata e tirou de dentro uma cobra. Quando dei por mim, já tinha passado por cima de todo mundo que ficou dentro do carro por achar que já tinha visto gatos demais na vida... Amarelinha... Gaguejando direto... Do método destraumatizante de papai eu só lembro desses dois episódios... Mas eu conto mais de minhas experiências traumáticas com bichos...

Originalmente publicado em 6 de julho de 2010.
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Sobre a louca que escreveu:
Soraya Carvalho Meu nome é Soraya, mas me chamam de Sol! Tenho 31 anos, estou tentando me reapaixonar por tudo o que escolho... Sou formada em Biblioteconomia, recém-convertida católica (ainda que batizada desde 1995), estou aprendendo a lidar com a ansiedade e tenho pensado em tentar falar sobre a luta e o aprendizado diário... Viver requer paciência, e eu não tenho.